« Liturgia Dominical » † 2º Domingo da Quaresma roxo – 1ª classe. « E transfigurou-se diante deles. » Ev. Intróito / REMINÍSCERE — Salmo 24. 6, 3, 22, 1-2. O Intróito como que enuncia o tema geral da Missa ou solenidade do dia. Canto solene de entrada, o Introito como que enuncia o tema geral da Missa […]
" /> Liturgia Dominical – † 2º Domingo da Quaresma

Liturgia Dominical – † 2º Domingo da Quaresma

« Liturgia Dominical »

† 2º Domingo da Quaresma
roxo – 1ª classe.

« E transfigurou-se diante deles. » Ev.

Intróito / REMINÍSCERE — Salmo 24. 6, 3, 22, 1-2.

O Intróito como que enuncia o tema geral da Missa ou solenidade do dia.

Canto solene de entrada, o Introito como que enuncia o tema geral da Missa ou solenidade do dia. Compunha-se antigamente duma antífona e de um salmo, que se cantava por inteiro. Hoje o salmo está reduzido a um só versículo.

Reminíscere miseratiónum tuarum, Dómine, et misericórdiæ tuæ, quæ a saeculo sunt: ne umquam dominéntur nobis inimíci nostri: líbera nos, Deus Israël, ex ómnibus angústiis nostris. Ps. Ad te, Dómine, levávi ánimam meam: Deus meus, in te confído, non erubéscam. ℣. Glória Patri.

Lembrai-vos, Senhor, de vossa bondade e de vossa misericórdia, que são de séculos para que de nós não triunfem os nossos inimigos. Livrai-nos, ó Deus de Israel, de todas as nossas angústias. Sl. A Vós Senhor, elevo a minha alma; meu Deus, em vós confio; não serei envergonhado. ℣. Glória ao Pai.

Oração (Colecta)

Pedimos ao Senhor aquilo de que precisamos nesse dia para a nossa salvação.

Numa breve oração, o celebrante resume e apresenta a Deus os votos de toda a assembleia, votos estes sugeridos pelo mistério ou solenidade do dia.

Deus, qui cónspicis omni nos virtúte destítui: intérius exteriúsque custódi; ut ab ómnibus adversitátibus muniámur In córpore, et a pravis cogitatiónibus mundémur in mente. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Ó Deus, que nos vedes destituídos de toda força, guardai-nos interior e exteriormente a fim de que o nosso corpo seja preservado de todas as adversidades, e a nossa alma purificada de todos os maus pensamentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Epístola de São Paulo Apóstolo aos Tessalonicenses 1. 4.1-7

« Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade em Jesus Cristo Nosso Senhor. » A lembrança de nosso destino sublime faz compreender melhor as exigências da vocação cristã.

Fratres: Rogámus vos et obsecrámus in Dómino Iesu: ut, quemádmodum accepístis a nobis, quómodo opórteat vos ambuláre et placére Deo, sic et ambulétis, ut abundétis magis. Scitis enim, quæ præcépta déderim vobis Per Dominum Iesum. Hæc est enim volúntas Dei, sanctificátio vestra: ut abstineátis vos a fornicatióne, ut sciat unusquísque vestrum vas suum possidére in sanctificatióne et honóre; non in passióne desidérii, sicut et gentes, quæ ignórant Deum: et ne quis supergrediátur neque circumvéniat in negótio fratrem suum: quóniam vindex est Dóminus de his ómnibus, sicut prædíximus vobis et testificáti sumus. Non enim vocávit nos Deus in immundítiam, sed in sanctificatiónem: in Christo Iesu, Dómino nostro.

Irmãos: 1Nós vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus, que assim como aprendestes de nós como convém viver para agradar a Deus, assim andeis de modo a vos aperfeiçoardes cada vez mais. 2Sabeis bem que preceitos vos dei em Nome do Senhor Jesus. 3Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que vos abstenhais da impureza; 4que cada um de vós saiba guardar o seu corpo em santidade e honra; 5não em desejos de sensualidade, como os gentios que não conhecem a Deus. 6E ninguém oprima nem engane em qualquer assunto a seu irmão; porque o Senhor vingará1 todas estas coisas, como já vo-lo temos dito e atestado. 7Porque não nos chamou Deus para a impureza, mas para a santificação no Cristo Jesus Senhor nosso.

Gradual / Salmo 24. 17-18

Cantos, por via de regra, tirados dos Salmos e que traduzem os devotos afetos produzidos na alma pela leitura da Epístola ou sugeridos pelo Mistério do dia.

Tribulatiónes cordis mei dilatátæ sunt: de necessitátibus meis éripe me, Dómine. ℣. Vide humilitátem meam et labórem meum: et dimítte ómnia peccáta mea.

As ânsias de meu coração se multiplicaram. Ó Senhor, tirai-me de minhas angústias. ℣. Vede a minha miséria e o meu sofrimento; e perdoai todos os meus pecados.

Tracto / Salmo 105. 1-4

Cantos, por via de regra, tirados dos salmos e que traduzem os devotos afetos produzidos na alma pela leitura da Epístola ou sugeridos pelo Mistério do dia.

No Tempo da Septuagésima, o Alleluia é substituído pelo Tracto.

Confitémini Dómino, quóniam bonus: quóniam in saeculum misericórdia eius. ℣. Quis loquétur poténtias Dómini: audítas fáciet omnes laudes eius? ℣. Beáti, qui custódiunt iudícium et fáciunt iustítiam in omni témpore. ℣. Meménto nostri, Dómine, in beneplácito pópuli tui: vísita nos in salutári tuo.

Louvai o Senhor, porque Ele é bom: porque sua misericórdia permanece para sempre. ℣. Quem cantará as maravilhas do Senhor? Quem fará ouvir todos os seus louvores? ℣. Bem-aventurados os que guardam a sua lei e procedem com justiça, em todo o tempo. ℣. Lembrai-Vos de nós, Senhor, segundo a vossa benevolência para com vosso povo. Visitai-nos com a vossa salvação.

Evangelho segundo São Mateus 17. 1-9

Gravem-se em nossas almas de crentes as grandezas de Jesus transfigurado, e tenhamo-las presentes nas humilhações da Paixão. Moisés e Elias, isto é, a Lei e os Profetas (todo o Antigo Testamento) e a própria voz do Pai dão testemunho da sua missão.

In illo témpore: Assúmpsit Iesus Petrum, et Iacóbum, et Ioánnem fratrem eius, et duxit illos in montem excélsum seórsum: et transfigurátus est ante eos. Et resplénduit fácies eius sicut sol: vestiménta autem eius facta sunt alba sicut nix. Et ecce, apparuérunt illis Móyses et Elías cum eo loquéntes. Respóndens autem Petrus, dixit ad Iesum: Dómine, bonum est nos hic esse: si vis, faciámus hic tria tabernácula, tibi unum, Móysi unum et Elíæ unum. Adhuc eo loquénte, ecce, nubes lúcida obumbrávit eos. Et ecce vox de nube, dicens: Hic est Fílius meus diléctus, in quo mihi bene complácui: ipsum audíte. Et audiéntes discípuli, cecidérunt in fáciem suam, et timuérunt valde. Et accéssit Iesus, et tétigit eos, dixítque eis: Súrgite, et nolíte timére. Levántes autem óculos suos, néminem vidérunt nisi solum Iesum. Et descendéntibus illis de monte, præcépit eis Iesus, dicens: Némini dixéritis visiónem, donec Fílius hóminis a mórtuis resúrgat.

Naquele tempo, 1tomou Jesus consigo a Pedro, Tiago e João, seu irmão, e levou-os de parte a um monte muito alto. 2E transfigurou-se diante deles. Seu rosto resplandeceu como o sol, e suas vestes tornaram-se brancas como a neve. 3E eis que apareceram Moisés e Elias2, falando com Ele. 4Então Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: « Senhor, bom é estarmos aqui; se quiserdes, faremos aqui três tabernáculos, um para Vós, outro para Moisés e o terceiro para Elias ». 5Ainda falava ele, quando uma nuvem brilhante3 os envolveu, e da nuvem soou uma voz que dizia: « Este é o meu Filho muito amado. N’Ele pus toda a minha complacência; escutai-O ». 6Ouvindo isto, os discípulos caíram com a face em terra e ficaram muito atemorizados. 7Aproximou-se, porém, Jesus, e, tocando-os, disse-lhes: Levantai-vos e não temais. 8E erguendo eles os olhos, não viram ninguém senão a Jesus só. 9E enquanto descia com eles do monte, ordenou-lhes Jesus, dizendo: A ninguém digais o que vistes, até que o Filho do homem ressuscite dos mortos.

2 Os representantes por excelência do Antigo Testamento.

3 A nuvem, que acompanha e revela a presença de Deus (manifestação frequente no Antigo Testamento).

CREDO…

Concluímos a Ante-Missa com essa profissão de fé.

Breve compêndio das verdades cristãs e Símbolo da fé católica. Com a Igreja, afirmemo-las publicamente e renovemos a profissão de fé que fizemos no Batismo.

Ofertório / Salmo 118. 47-48

Com o Ofertório, começa a segunda parte da Missa ou Sacrifício propriamente dito. Três elementos o constituíam antigamente: apresentação das oferendas, canto de procissão, oração sobre as oblatas.

Meditábor in mandátis tuis, quæ diléxi valde: et levábo manus meas ad mandáta tua, quæ diléxi.

Meditarei os vossos mandamentos, que muito amo; e levantarei as minhas mãos para cumprir os vossos preceitos, que muito prezo.

Secreta

É a antiga « oração sobre as oblatas », ponto de ligação entre o Ofertório e o Cânon.

É neste último que se faz propriamente a oblação do sacrifício.

Sacrifíciis præséntibus, Dómine, quǽsumus, inténde placátus: ut et devotióni nostræ profíciant et salúti. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Olhai benignamente, Senhor para os sacrifícios presentes a fim de que aproveitem à nossa submissão e à nossa salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Communio / Salmo 5. 2-4

Alternando com o canto dum salmo, acompanhava (e ainda hoje pode acompanhar) a comunhão dos fiéis.

Nas Missas cantadas, se canta, enquanto o sacerdote toma as abluções e recita as orações seguintes em que se pedem para a alma os frutos da Comunhão.

Intéllege clamórem meum: inténde voci oratiónis meæ, Rex meus et Deus meus: quóniam ad te orábo, Dómine.

Escutai meu clamor; atendei à voz de minha oração, ó meu Rei e meu Deus, porque é a Vós, Senhor, que eu invoco.

Postcommunio

Súplica a Deus para que nos conceda os frutos do Sacrifício.

Súpplices te rogámus, omnípotens Deus: ut quos tuis réficis sacraméntis, tibi etiam plácitis móribus dignánter deservíre concédas. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Humildemente Vos rogamos, ó Deus onipotente, concedais, benigno, que com santos costumes Vos sirvam os que alimentais com os vossos Sacramentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Meditação

A Transfiguração

Ó Jesus, fazei que a Vossa graça triunfe em mim até me tornar digno de participar na Vossa gloriosa Transfiguração.

1 — A alma de Jesus pessoalmente unida ao Verbo gozava da visão beatífica, cujo efeito conatural é a glorificação do corpo. Este efeito não se manifestou em Jesus porque, durante os anos da sua vida terrena, quis assemelhar-Se a nós o mais possível, revestindo-Se de « uma carne semelhante à do pecado » (Rom. 8, 3). Contudo, para confirmar na fé os Apóstolos, abalados pelo anúncio da Sua Paixão, Jesus, sobre o Monte Tabor, permitiu que por instantes alguns raios da Sua alma bem-aventurada transparecessem no Seu Corpo, e então Pedro, Tiago e João viram-nO transfigurado: « o seu rosto ficou refulgente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a neve ». Os três ficaram estáticos, porém, Jesus apenas lhes tinha mostrado um raio da Sua glória, porque nenhuma criatura humana teria podido suportar a visão completa.

A glória é o fruto da graça; a graça que Jesus possui em medida infinita redunda numa glória infinita que O transfigura todo. Alguma coisa de semelhante nos acontece também a nós: a graça transforma-nos, transfigura-nos « de claridade em claridade » (II Cor. 3, 18), até que um dia, no céu, nos introduzirá na visão beatífica de Deus. Assim como a graça transfigura, o pecado, com a sua opacidade, desfigura aqueles que são suas vítimas.

O Evangelho de hoje (Mt. 17, 1-9) mostra a íntima relação entre a Transfiguração e a Paixão de Jesus. Moisés e Elias, presentes no Tabor ao lado do Salvador, falavam com Ele e, como especifica S. Lucas, falavam precisamente da Sua próxima Paixão, « da sua saída que Ele estava para cumprir em Jerusalém » (Lc. 9, 31).

O divino Mestre queria assim ensinar aos Seus discípulos que era impossível, tanto para Si como para eles, chegar à glória da Transfiguração sem passar através do sofrimento; é a lição que dará mais tarde aos dois discípulos de Emaús: « Porventura não era necessário que o Cristo sofresse tais coisas, e que assim entrasse na sua glória? » (Lc. 24, 26). O que o pecado desfigurou não pode voltar à sua primitiva beleza sobrenatural senão pelo sofrimento purificador.

2 — Extasiado perante a visão do Tabor, Pedro exclama com o seu ardor habitual: « Bom é nós estarmos aqui » e oferece-se para fazer três tendas: uma para Jesus, outra para Moisés e outra para Elias. Mas a sua proposta é interrompida por uma voz do alto: « Este é o meu Filho dileto em quem pus toda a minha complacência: ouvi-O! » e a visão desaparece.

As consolações espirituais nunca são um fim em si mesmas, e não devemos desejá-las nem procurar detê-las para nosso gozo. A alegria, mesmo espiritual, não deve ser nunca procurada por si própria; como no céu a alegria será uma consequência necessária da posse de Deus, assim na terra deve ser unicamente um meio para nos entregarmos com maior generosidade ao serviço de Deus. A Pedro que pede para ficar sobre o Tabor, na doce visão de Jesus transfigurado, responde o próprio Deus, convidando-o antes a ouvir e a seguir os ensinamentos do Seu amado Filho. E bem depressa o apóstolo ardente saberá que seguir a Jesus significa levar a cruz e subir com Ele ao Calvário.

Deus não nos consola para nos regalar, mas sim para nos encorajar, para nos tornar fortes e generosos no sofrimento abraçado por Seu amor.

Desaparecida a visão, os apóstolos ergueram os olhos e não viram mais nada « nisi solum Jesum », exceto Jesus só, e com « Jesus só » desceram do monte. Eis o que nós devemos procurar sempre e o que nos deve bastar: Jesus só, Deus só. Tudo o resto — consolações, ajudas, amizades mesmo espirituais, compreensão, estima, apoio dos superiores — pode ser bom na medida em que Deus no-lo permite gozar, e Ele serve-Se disto frequentemente para amparar a nossa fraqueza; mas quando, através das circunstâncias, a mão divina nos priva de tudo isso, não devemos desanimar nem perturbar-nos. É precisamente nestas ocasiões que nós podemos testemunhar a Deus — com fatos e não com palavras — que Ele é o nosso Tudo e que Ele só, nos basta. É este um dos mais belos testemunhos que pode prestar a Deus uma alma amante: ser-Lhe fiel, confiar nEle, perseverar no propósito de uma entrega total ainda quando Ele, retirando todos os Seus dons, a deixa sozinha, na escuridão, talvez na incompreensão, na amargura, na solidão material e espiritual, unida à desolação interior. É agora o momento de repetir: « Jesus só » e de descer com Ele do Tabor, para O seguir com os Apóstolos até ao Calvário, onde Ele agonizará abandonado não só dos homens, mas também de Seu Pai.

Extraído do Livro Intimidade Divina­ — P. Gabriel de Santa Maria Madalena O.C.D.
Segunda edição (Traduzida da 12ª edição italiana) — 1967.

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