« Liturgia Dominical » † Domingo da Quinquagésima roxo – 2ª classe. « Que queres que te faça? Ele respondeu: Senhor, que eu veja. » Ev. Intróito / ESTO MIHI — Salmo 30. 3-4, 2 O Intróito como que enuncia o tema geral da Missa ou solenidade do dia. Canto solene de entrada, o Introito […]
" /> Liturgia Dominical – † Domingo da Quinquagésima

Liturgia Dominical – † Domingo da Quinquagésima

« Liturgia Dominical »
† Domingo da Quinquagésima
roxo – 2ª classe.

« Que queres que te faça? Ele respondeu: Senhor, que eu veja. » Ev.

Intróito / ESTO MIHI — Salmo 30. 3-4, 2

O Intróito como que enuncia o tema geral da Missa ou solenidade do dia.

Canto solene de entrada, o Introito como que enuncia o tema geral da Missa ou solenidade do dia. Compunha-se antigamente duma antífona e de um salmo, que se cantava por inteiro. Hoje o salmo está reduzido a um só versículo.

Esto mihi in Deum protectórem, et in locum refúgii, ut salvum me fácias: quóniam firmaméntum meum et refúgium meum es tu: et propter nomen tuum dux mihi eris, et enútries me. Ps. In te, Dómine, sperávi, non confúndar in ætérnum: in iustítia tua líbera me et éripe me. ℣. Glória Patri,

Sede para mim, ó Deus, um protetor e um lugar de refúgio para me salvar, porque Vós sois minha força e meu refúgio; para glória de vosso Nome, guiai-me e nutri-me. Sl. Em Vós, Senhor, espero, não serei confundido eternamente; por vossa justiça livrai-me e salvai-me. ℣. Glória ao Pai.

Oração (Colecta)

Pedimos ao Senhor aquilo de que precisamos nesse dia para a nossa salvação.

Numa breve oração, o celebrante resume e apresenta a Deus os votos de toda a assembleia, votos estes sugeridos pelo mistério ou solenidade do dia.

Preces nostras, quǽsumus, Dómine, cleménter exáudi: atque, a peccatórum vínculis absolútos, ab omni nos adversitáte custódi. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Senhor, nós Vos suplicamos que atendais benigno às nossas preces, e, libertados dos laços do pecado, nos preserveis de toda adversidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios 1. 13. 1-13

O mérito da nossa vida e a sua força de irradiação sobrenatural dependem, não da medida da nossa atividade, mas da caridade que nos anima. Infundida em nossas almas pelo Espírito Santo, é ela que nos permitirá ver a Deus face a face.

Fratres: Si linguis hóminum loquar et Angelórum, caritátem autem non hábeam, factus sum velut æs sonans aut cýmbalum tínniens. Et si habúero prophétiam, et nóverim mystéria ómnia et omnem sciéntiam: et si habúero omnem fidem, ita ut montes tránsferam, caritátem autem non habúero, nihil sum. Et si distribúero in cibos páuperum omnes facultátes meas, et si tradídero corpus meum, ita ut árdeam, caritátem autem non habuero, nihil mihi prodest. Cáritas patiens est, benígna est: cáritas non æmulátur, non agit pérperam, non inflátur, non est ambitiósa, non quærit quæ sua sunt, non irritátur, non cógitat malum, non gaudet super iniquitáte, congáudet autem veritáti: ómnia suffert, ómnia credit, ómnia sperat, ómnia sústinet. Cáritas numquam éxcidit: sive prophétiæ evacuabúntur, sive linguæ cessábunt, sive sciéntia destruétur. Ex parte enim cognóscimus, et ex parte prophetámus. Cum autem vénerit quod perféctum est, evacuábitur quod ex parte est. Cum essem párvulus, loquébar ut párvulus, sapiébam ut párvulus, cogitábam ut párvulus. Quando autem factus sum vir, evacuávi quæ erant párvuli. Vidémus nunc per spéculum in ænígmate: tunc autem fácie ad fáciem. Nunc cognósco ex parte: tunc autem cognóscam, sicut et cógnitus sum. Nunc autem manent fides, spes, cáritas, tria hæc: maior autem horum est cáritas.

Irmãos: 1Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos Anjos1, se não tivesse Caridade, seria como o bronze que soa ou como o címbalo que tine. 2Se tivesse o dom da profecia, conhecesse todos os mistérios e possuísse toda a ciência, e se tivesse toda a fé, de modo a transportar montes, mas não tivesse a Caridade, não seria nada. 3E ainda que distribuísse todos os meus bens para mantimento dos pobres, e entregasse meu corpo para ser queimado, se não tivesse a Caridade, nada me aproveitaria. 4A Caridade é paciente, é benigna; a Caridade não é invejosa, não trata levianamente, não se ensoberbece, 5não é ambiciosa, não cuida [apenas] de seus interesses, não se irrita, não julga mal, 6não folga com a injustiça, porém, alegra-se com a verdade; 7tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. 8A Caridade nunca há de acabar, ainda que tenham fim as profecias, cessem as línguas e a ciência seja destruída. 9Porque é em parte que conhecemos, e é em parte que profetizamos, 10mas, quando vier o que é perfeito, será abolido o que é incompleto. 11Quando eu era menino, falava como menino, julgava como menino, pensava como menino. Mas, quando cheguei a ser homem feito, abandonei o que era de menino. 12Agora vemos a Deus como por um espelho, em enigma; mas então O veremos face a face. Agora conheço-O em parte, mas então O conhecerei tão bem como sou conhecido eu mesmo. 13Agora, portanto, permanecem estas três: a fé, a esperança e a Caridade; a maior delas, porém, é a Caridade.

1 Nós diríamos: « todas as línguas possíveis e imagináveis »; é o dom das línguas, elevado ao máximo.

Gradual / Salmo 76. 15-16

Cantos, por via de regra, tirados dos Salmos e que traduzem os devotos afetos produzidos na alma pela leitura da Epístola ou sugeridos pelo Mistério do dia.

Tu es Deus qui facis mirabília solus: notam fecísti in géntibus virtútem tuam. ℣. Liberásti in bráchio tuo pópulum tuum, fílios Israel et Ioseph.

Ó Deus, somente vós fazeis maravilhas; manifestastes entre os povos o vosso poder. ℣. Por vosso braço resgatastes vosso povo, os filhos de Israel e de José.

Tracto / Salmo 99. 1-2

Cantos, por via de regra, tirados dos salmos e que traduzem os devotos afetos produzidos na alma pela leitura da Epístola ou sugeridos pelo Mistério do dia.

No Tempo da Septuagésima, o Alleluia é substituído pelo Tracto.

Iubiláte Deo, omnis terra: servíte Dómino in lætítia. ℣. Intráte in conspéctu eius in exsultatióne: scitóte, quod Dóminus ipse est Deus. ℣. Ipse fecit nos, et non ipsi nos: nos autem pópulus eius, et oves páscuæ eius.

Aclamai a Deus, toda a terra; servi ao Senhor na alegria. ℣. Exultando, vinde à sua presença; sabei que só o Senhor é Deus. ℣.Ele nos fez, e não nós a nós mesmos; somos o seu povo e as ovelhas de seu pasto.

Evangelho segundo São Lucas 18. 31-43

« Este cego, de que nos fala o evangelho, é o gênero humano, banido da felicidade do paraíso, e que, ignorando a claridade da luz sobrenatural, se sente prisioneiro das trevas a que se condenou pelo pecado. Iluminado agora pela presença do seu Redentor, as boas obras põem-no no caminho da verdadeira vida » (S. Gregório, em matinas).

In illo témpore: Assúmpsit Iesus duódecim, et ait illis: Ecce, ascéndimus Ierosólymam, et consummabúntur ómnia, quæ scripta sunt per Prophétas de Fílio hominis. Tradátur enim Géntibus, et illudétur, et flagellábitur, et conspuétur: et postquam flagelláverint, occídent eum, et tértia die resúrget. Et ipsi nihil horum intellexérunt, et erat verbum istud abscónditum ab eis, et non intellegébant quæ dicebántur. Factum est autem, cum appropinquáret Iéricho, cæcus quidam sedébat secus viam, mendícans. Et cum audíret turbam prætereúntem, interrogábat, quid hoc esset. Dixérunt autem ei, quod Iesus Nazarénus transíret. Et clamávit, dicens: Iesu, fili David, miserére mei. Et qui præíbant, increpábant eum, ut tacéret. Ipse vero multo magis clamábat: Fili David, miserére mei. Stans autem Iesus, iussit illum addúci ad se. Et cum appropinquásset, interrogávit illum, dicens: Quid tibi vis fáciam? At ille dixit: Dómine, ut vídeam. Et Iesus dixit illi: Réspice, fides tua te salvum fecit. Et conféstim vidit, et sequebátur illum, magníficans Deum. Et omnis plebs ut vidit, dedit laudem Deo.

Naquele tempo, 31tomou Jesus consigo os doze, e disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém, e cumprir-se-á tudo o que os Profetas escreveram acerca do Filho do homem. 32Porque aos gentios há de ser entregue, e será escarnecido, açoitado e cuspido; 33e havendo-O açoitado, matá-lo-ão, e ao terceiro dia ressuscitará. 34Eles nada entenderam, pois esse discurso era para eles obscuro; e não penetravam o que lhes dizia. 35E aconteceu que, chegando Ele perto de Jericó, estava um cego sentado junto ao caminho, a mendigar. 36E ouvindo muita gente passar, perguntou que era aquilo. 37Disseram-lhe que passava Jesus Nazareno. 38Ele clamou, dizendo: Jesus, Filho de Davi2, tende piedade de mim. 39E os que iam adiante o repreendiam, para que se calasse. Ele, porém, cada vez mais clamava: Filho de Davi, tende piedade de mim. 40Jesus parou e mandou que o levassem à sua presença. E, quando ele se aproximou, interrogou-o com estas palavras: 41Que queres que te faça? Ele respondeu: Senhor, que eu veja. 42E Jesus lhe disse: Vê, a tua fé te salvou. 43E logo o cego viu, e O foi seguindo, glorificando a Deus. E todo o povo, vendo isto, rendeu louvores a Deus.

2 Título messiânico por excelência.

CREDO…

Concluímos a Ante-Missa com essa profissão de fé.

Breve compêndio das verdades cristãs e Símbolo da fé católica. Com a Igreja, afirmemo-las publicamente e renovemos a profissão de fé que fizemos no Batismo.

Ofertório / Salmo 118. 12-13

Com o Ofertório, começa a segunda parte da Missa ou Sacrifício propriamente dito. Três elementos o constituíam antigamente: apresentação das oferendas, canto de procissão, oração sobre as oblatas.

Benedíctus es, Dómine, doce me iustificatiónes tuas: in lábiis meis pronuntiávi ómnia iudícia oris tui.

Bendito sois, Senhor; ensinai-me a vossa lei. Com meus lábios pronunciei todos os ensinamentos de vossa boca.

Secreta

É a antiga « oração sobre as oblatas », ponto de ligação entre o Ofertório e o Cânon.

É neste último que se faz propriamente a oblação do sacrifício.

Hæc hóstia, Dómine, quǽsumus, emúndet nostra delícta: et, ad sacrifícium celebrándum, subditórum tibi córpora mentésque sanctíficet. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Nós Vos suplicamos, Senhor, que esta hóstia nos purifique de nossos delitos, e santifique os corpos e as almas de vossos servos para bem celebrarem este Sacrifício. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Communio / Salmo 77. 29-30

Alternando com o canto dum salmo, acompanhava (e ainda hoje pode acompanhar) a comunhão dos fiéis.

Nas Missas cantadas, se canta, enquanto o sacerdote toma as abluções e recita as orações seguintes em que se pedem para a alma os frutos da Comunhão.

Manducavérunt, et saturári sunt nimis, et desidérium eórum áttulit eis Dóminus: non sunt fraudáti a desidério suo.

Comeram até ficarem muito fartos, e o Senhor lhes satisfez o desejo; não foram iludidos em suas aspirações.

Postcommunio

Súplica a Deus para que nos conceda os frutos do Sacrifício.

Quǽsumus, omnípotens Deus: ut, qui cæléstia aliménta percépimus, per hæc contra ómnia adversa muniámur. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Nós Vos pedimos, ó Deus onipotente, que, tendo recebido o celestial Alimento, por ele sejamos protegidos contra todas as adversidades. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Meditação

A Predição da Paixão

Ó Jesus, dai-me luz para compreender o mistério e o valor do sofrimento cristão.

1 — Aproximando-se a Quaresma, tempo em que predomina a lembrança das dores de Jesus, o Evangelho de hoje (Lc. 18, 31-43) anuncia-nos já a Sua Paixão. A predição é clara: « O Filho do Homem será entregue aos gentios, e será escarnecido e açoitado e cuspido; e, depois de o açoitarem, o matarão, e ressuscitará ao terceiro dia », todavia, como já de outras vezes sucedera, os Apóstolos « nada compreenderam, e este discurso era para eles obscuro ». Não compreenderam porque concebiam a missão de Jesus como a de um conquistador terreno, que havia de restabelecer o reino de Israel; não sonhando mais do que com triunfos e preocupados como estavam em ocuparem os primeiros lugares do novo reino, qualquer alusão à Paixão os alarmava e escandalizava.

Para os que só pensam na prosperidade e glória terrenas, a linguagem da cruz é incompreensível. Para aqueles que têm uma visão material das coisas, é muito duro entender o seu significado espiritual e particularmente o significado do sofrimento. Já S. Paulo dizia que Cristo crucificado era « escândalo para os judeus e loucura para os gentios » (I Cor. 1, 23). E Jesus, repreendendo S. Pedro que ao primeiro anúncio da Paixão tinha exclamado: « Deus tal não permita, Senhor; não te sucederá isto », dissera com energia: « Retira-te de mim, Satanás… porque não tens a sabedoria das coisas de Deus, mas das coisas dos homens ». (Mt. 16, 22 e 23).

Para a sabedoria dos homens, o sofrimento é loucura incompreensível, assustadora, a ponto de os fazer perder toda a confiança em Deus e de os levar a murmurar contra a Providência divina. Para a sabedoria de Deus, porém, o sofrimento é antes um meio de salvação e redenção. E assim como foi necessário que « Cristo padecesse para entrar na sua glória » (cfr. Lc. 24,26), do mesmo modo é necessário que o cristão passe pelo crisol da dor a fim de chegar à santidade e à vida eterna.

2 — Só depois da descida do Espírito Santo os Apóstolos compreenderam plenamente o significado da Paixão de Jesus e, longe de se escandalizarem, tiveram como a maior honra, seguir e pregar a Cristo crucificado.

O olhar humano não tem luz para compreender o valor da cruz; é necessária uma nova luz, a luz do Espírito Santo. Não é sem razão que no Evangelho deste dia, logo após a profecia da Paixão, se narra a cura do cego de Jericó. Perante o mistério da dor, somos sempre um pouco cegos: quando o sofrimento nos fere no que temos de mais querido, de mais íntimo, é fácil perdermo-nos e andarmos às apalpadelas como os cegos, na incerteza, nas trevas. A Igreja convida-nos a renovar hoje a oração do cego, tão cheia de fé: « Jesus, filho de David, tem piedade de mim ».

O mundo admira-se frequentemente dos sofrimentos dos bons, e em vez de os animar quando recorrem a Deus, procura afastá-los dEle, infundindo-lhes desconfiança e falsos temores. As nossas próprias paixões e a tendência inata para gozar, gritam tantas vezes dentro de nós querendo, sob mil pretextos, impedir-nos de seguir Jesus crucificado. Permaneçamos firmes na fé como o pobre cego que, sem se importar com a multidão que o impedia de se aproximar de Jesus, sem se deter perante as censuras dos discípulos, que o queriam fazer calar, « cada vez gritava mais », repetindo a sua prece.

Do fundo dos nossos corações elevemos ao Senhor o nosso grito: « De profundis clamo ad te, Dómine; Dómine, audi vocem meam » (Sal. 120). Não peçamos para nos livrar do sofrimento, mas antes para sermos iluminados sobre o seu valor: « Senhor, que eu veja! ». Apenas o cego recuperou a vista, correu atrás de Jesus « glorificando a Deus! ». A luz sobrenatural que pedimos ao Senhor dar-nos-á a força de O seguirmos, levando após Ele a nossa cruz.

Extraído do Livro Intimidade Divina­ — P. Gabriel de Santa Maria Madalena O.C.D.
Segunda edição (Traduzida da 12ª edição italiana) — 1967.

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