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Dizia Santo Agostinho que “a preocupação com os funerais, a condição da sepultura, a pompa das exéquias são mais consolo para os vivos ...

Finados


Dizia Santo Agostinho que “a preocupação com os funerais, a condição da sepultura, a pompa das exéquias são mais consolo para os vivos do que subsídio para os mortos”. Não devemos desprezá-las nem rejeitá-las, especialmente quando provêm de corações retos e gratos, porque os corpos foram os órgãos e os instrumentos de que usou o espírito para fazer o bem. A Igreja conserva a preciosa tradição do respeito para com os mortos, inumando-os, para aguardar a gloriosa ressurreição do último dia.

É ocasião de renovarmos nossa fé no nono artigo do Credo: creio na comunhão dos santos. Comunhão é aquela íntima união entre todos os membros da Igreja (santos = cristãos), aquela participação nos bens tanto internos (a graça, os merecimentos de Jesus, de Maria e dos Santos), como externos (as orações públicas, o Santo Sacrifício da Missa, outras práticas). Se os cristãos da Terra (a igreja militante) honram e invoca os santos do céu (igreja triunfante), contemplando-lhes a glória, a primeiro de novembro; no dia de finados, vai em socorro das almas do Purgatório (igreja padecente), numa comemoração solene, com um sufrágio geral. São três estágios da mesma Igreja: os santos nos amam e intercedem por nós. Nós corremos em auxílio das almas sofredoras, que nos precederam no sinal da fé. A morte arrebatou-nos entes queridos, e contudo não pode haver separação daqueles que expiram no ósculo do Senhor. O vínculo da caridade continua a unir-nos a todos, estreitando num só abraço a terra, o céu e o purgatório, de maneira que entre esses três pólos circula o auxílio fraterno fruto do amor, que tem por fim o triunfo da caridade na glória comum do Paraíso.

A liturgia do dia de finados está impregnada de tristeza, mas não da tristeza “dos que não têm esperança”, porque, para além dela, resplandece a fé na bem-aventurada ressurreição, na felicidade eterna que nos espera.

O que vale para os mortos é nossa oração, mais do que a vela acesa e nossas flores. Devemos sufragar as almas dos fiéis defuntos com orações, esmolas e todas as outras boas obras, sobretudo com o Santo Sacrifício da Missa. 1ºE pensar que nós também havemos de morrer e apresentar-nos ao tribunal de Deus para Lhe dar conta de toda nossa vida; 2.º conceber grande horror ao pecado, considerando quão rigorosamente Deus o castiga na outra vida; 3.º satisfazer nesta vida a justiça divina, com obras de penitência, pelos pecados cometidos.

Tradicionalmente, dedica-se o mês de novembro para recordar as almas do purgatório. Aproveitemo-lo, para exercer não só com as almas dos parentes, amigos e benfeitores, mas com todas as almas do purgatório o ato de caridade a que estamos obrigados. E rezemos com a Igreja, no “Dies irae”:

Grande Rei de tremenda majestade,

Que costumas salvar gratuitamente,

A salvação te peço humildemente,

Ó fonte inexaurível de piedade!

Lembra-te, ó doce Filho de Maria,

Que só por meu amor desceste à terra;

Toda a minha esperança em Ti se encerra;

Não me abandones no tremendo dia.

E para as almas do Purgatório: “Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno,

Entre os resplendores da luz perpétua descansem em paz. Amém”.


Pe. E. José Possidente


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