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Pecado e pecador
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Artigo publicado no jornal A Folha da Manhã, no dia 24 de março de 2010, quarta-feira.

     Por ocasião da oração do “Angelus” no Domingo passado, o Santo Padre o Papa Bento XVI comentou o episódio evangélico em que Jesus perdoa uma mulher adúltera (Jo 8, 1-11).


     “Enquanto estava ensinando no Templo, os escribas e fariseus conduzem a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, para a qual a lei mosaica previa ser apedrejada até a morte. Aqueles homens pedem a Jesus julgar a pecadora, com a finalidade de ‘colocá-lo à prova’ e de apanhá-lo num passo falso. A cena é carregada de dramaticidade: das palavras de Jesus depende a vida daquela pessoa, mas também a sua própria vida. Os acusadores hipócritas, de fato, fingem confiar-lhe o julgamento do caso, enquanto que, na realidade, é Ele mesmo que eles querem acusar e julgar. Jesus, no entanto, é ‘cheio de graça e de verdade’ (Jo 1,14): Ele conhece o que existe no coração de toda pessoa, quer condenar o pecado, mas salvar o pecador e desmascarar a hipocrisia. O evangelista São João ressalta uma particularidade: enquanto os causadores o interrogam com insistência, Jesus se inclina e se põe a escrever com o dedo na terra. Observa Santo Agostinho que com esse gesto se mostra Cristo como o legislador divino: de fato, Deus escreveu a lei com seu dedo sobre tábuas de pedra. Jesus, portanto, é o Legislador, é a Justiça em pessoa. E qual é a sua sentença?”


     “‘Quem de vós estiver sem pecado, atire por primeiro a pedra contra ela’. Estas palavras são cheias da força da verdade, que desarma, que abate o muro da hipocrisia e abre as consciências a uma justiça maior, a do amor, na qual está o pleno cumprimento de todo preceito. É a justiça que salvou também Saulo de Tarso, transformado em São Paulo (cf. Fil 3, 8-14)”.


     “Quando os acusadores ‘começaram a ir embora um por um, começando dos mais velhos’, Jesus, absolvendo a mulher do seu pecado, a introduz em uma nova vida, orientada ao bem: ‘nem eu também te condeno; vai e de agora em diante não peques mais’. É a mesma graça que fará dizer ao Apóstolo: ‘Só procuro isto: esquecendo o que ficou para trás e dirigindo-me ao que está na minha frente, corro em direção à meta, ao prêmio que Deus nos chama a receber no Céu, em Cristo Jesus’ (Fil 3,14). Deus deseja para nós somente o bem e a vida; Ele provê a salvação de nossa alma por meio dos seus ministros, livrando-nos do mal com o Sacramento da Reconciliação, a fim de que ninguém se perca, mas todos tenhamos meio de nos converter. Nesse Ano Sacerdotal, desejo exortar aos Pastores a imitar o Santo Cura d’Ars no ministério do perdão sacramental, a fim de que os fiéis redescubram o seu significado e beleza, e sejam curados pelo amor misericordioso de Deus, o qual ‘vai até ao ponto de esquecer voluntariamente o pecado, só para poder nos perdoar’”.


     “Aprendamos com o Senhor Jesus a não julgar e a não condenar o próximo. Aprendamos a ser intransigentes com o pecado – a começar pelo nosso! - e indulgentes com as pessoas. Ajude-nos nisso a Santa Mãe de Deus que, isenta de toda culpa, é medianeira de graça para todo pecador arrependido”.


     

Dom Fernando Arêas Rifan
Bisbo Titular de Cedamusa
Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney



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