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Campanha anticatólica
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Artigo publicado no jornal "A Folha da Manhã", Campos, no dia 31de março de 2010, quarta-feira.

     Na Folha de São Paulo de 23 de março último, sobre acusações de pedofilia feitas à Igreja, o jornalista João Pereira Coutinho, apesar do tom negativo, faz uma honesta afirmação: “O jornalismo preguiçoso deveria separar a histeria anticatólica da verdade criminal”.


     Um exemplo entre muitos dessa histeria anticatólica tem sido dado pelo Jornal “The New York Times”. O famoso jornalista italiano Massimo Introvigne, escrevendo na agência Zenit, acusa esse jornal de fazer lobby laicista e anti-católico, espalhando um incrível boato relativo a Bento XVI e à Igreja. Vejamos um exemplo dessas caluniosas acusações.


     Segundo esse jornal, em 1996, os cardeais Ratzinger e Bertone teriam ocultado o caso – indicado à Congregação para a Doutrina da Fé – relativo a um padre americano pedófilo, Lawrence Murphy.


     Os fatos não foram assim. Por volta de 1975, Murphy foi acusado de abusos.

     O caso foi imediatamente denunciado às autoridades civis, que não encontraram provas suficientes para proceder contra Murphy. A Igreja, nesta questão mais severa que o Estado, continuou com persistência indagando sobre Murphy e, dado que suspeitava que ele fosse culpado, limitou de diversas formas seu exercício do ministério, apesar de a denúncia contra ele ter sido arquivada pela magistratura correspondente, e lhe foi pedido que admitisse publicamente sua responsabilidade. Isso durante 20 anos, até a morte do tal padre. A Congregação não publicou documentos e declarações 20 anos depois dos fatos porque, como explicou o Cardeal José Saraiva Martins, “é isso que acontece em qualquer família, não se lava roupa suja em público”.


     Este exemplo citado de jornalismo lixo confirma como funcionam os “pânicos morais”. Para desonrar a pessoa do Santo Padre, desenterra-se um episódio de 35 anos atrás, conhecido e discutido pela imprensa local já na década de 70, cuja gestão – enquanto era da sua competência e 25 anos depois dos fatos – por parte da Congregação para a Doutrina da Fé foi canônica e impecável, e muito mais severa que a das autoridades estatais americanas.


     Vê-se, pois, que se trata de uma tendência generalizada de difamar o Papa e a Igreja, uma verdadeira campanha anticatólica, já que o Papa Bento XVI tem sido não só severo com esses casos de pedofilia como correto em sua posição contra os abusos em geral e na sua eficaz ação em defesa da vida e da família. Nesse Domingo de Ramos, o Papa pediu a Deus para “ajudar os jovens e aqueles que trabalham para educá-los e protegê-los”.


     O senador italiano Marcello Pera, professor de filosofia, não católico, escrevendo em 27 de março último, no Corriere de La Sera, de Milão, afirma que se trata de uma agressão ao Papa e à democracia, uma verdadeira guerra entre o laicismo e o cristianismo, por parte daqueles que pensam que o Ocidente dever ser “laico”, quer dizer, anticristão. Segundo ele, querem sujar a Igreja e a religião cristã e, uma vez aniquilado o cristianismo, se perderia também a democracia.


     

Dom Fernando Arêas Rifan
Bisbo Titular de Cedamusa
Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney


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