« Liturgia Dominical » †23º Domingo depois de Pentecostes verde – 2a. classe. « Vinde, imponde a vossa mão sobre ela, e viverá. » Ev. Intróito / Jeremias 29. 11-14; Salmo 84. 2; O Intróito como que enuncia o tema geral da Missa ou solenidade do dia. O profeta Jeremias anuncia o fim de um […]
" /> Liturgia Dominical – † 23º Domingo depois de Pentecostes

Liturgia Dominical – † 23º Domingo depois de Pentecostes

« Liturgia Dominical »
†23º Domingo depois de Pentecostes
verde – 2a. classe.

« Vinde, imponde a vossa mão sobre ela, e viverá. » Ev.

Intróito / Jeremias 29. 11-14; Salmo 84. 2;

O Intróito como que enuncia o tema geral da Missa ou solenidade do dia.

O profeta Jeremias anuncia o fim de um cativeiro, de que o de Babilônia foi apenas figura.

Dicit Dóminus: Ego cógito cogitatiónes pacis, et non afflictiónis: invocábitis me, et ego exáudiam vos: et redúcam captivitátem vestram de cunctis locis. Ps. Benedixísti, Dómine, terram tuam: avertísti captivitátem Iacob. ℣.Glória Patri.

Assim diz o Senhor: Meus pensamentos são de paz e não de aflição. Clamai por mim e eu vou ouvirei. Reconduzir-vos-ei de vosso cativeiro, de todos os lugares. Sl. Abençoastes, Senhor, a vossa terra; livrastes Jacó do cativeiro. ℣. Glória ao Pai.

Oração (Colecta)

Pedimos ao Senhor aquilo de que precisamos nesse dia para a nossa salvação.

O verdadeiro cativeiro da alma é o pecado. Só Deus nos pode livrar dele e arrancar-nos à morte, punição do pecado.

Absólve, quǽsumus, Dómine, tuórum delícta populórum: ut a peccatórum néxibus, quæ pro nostra fraglitáte contráximus, tua benignitáte liberémur. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Dignai-Vos, Senhor, perdoar os delitos de vosso povo, a fim de que por vossa benignidade, sejamos livres dos laços dos pecados que por nossa fraqueza contraímos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Leitura epístola de São Paulo Apóstolo aos Filipenses 3. 17-21; 4. 1-3

Devemos desapegar-nos das coisas da terra e caminhar para as do Céu, para onde Cristo nos chama a partilhar da sua glória, numa transformação completa de todo nosso ser.

Fratres: Imitatóres mei estóte, et observáte eos, qui ita ámbulant, sicut habétis formam nostram. Multi enim ámbulant, quos sæpe dicébam vobis – nunc autem et flens dico – inimícos Crucis Christi: quorum finis intéritus: quorum Deus venter est: et glória in confusióne ipsórum, qui terréna sápiunt. Nostra autem conversátio in cœlis est: unde etiam Salvatórem exspectámus, Dóminum nostrum Iesum Christum, qui reformábit corpus humilitátis nostræ, configurátum córpori claritátis suæ, secúndum operatiónem, qua étiam possit subiícere sibi ómnia. Itaque, fratres mei caríssimi et desideratíssimi, gáudium meum et coróna mea: sic state in Dómino, caríssimi. Evódiam rogo et Sýntychen déprecor idípsum sápere in Dómino. Etiam rogo et te, germáne compar, ádiuva illas, quæ mecum laboravérunt in Evangélio cum Cleménte et céteris adiutóribus meis, quorum nómina sunt in libro vitæ.

Irmãos: 17Sede meus imitadores e observai os que andam conforme o exemplo que tendes visto em mim. 18Pois muitos há, de quem muitas vezes vos tenho falado (e ainda agora falo com lágrimas), que procedem como inimigos da Cruz do Cristo. 19O fim deles é a perdição; tem por deus o ventre; gloriam-se daquilo de que se deviam envergonhar, gostando somente das coisas terrenas. 20Quanto a nós, o nosso viver é nos céus, de onde também esperamos o Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo. 21Ele transformará nosso mísero corpo tornando-o semelhante ao seu corpo glorificado, pelo poder que tem de sujeitar a Si todas as coisas. 1Portanto, irmãos meus, muito amados e queridos, alegria e coroa minha, permanecei assim firmes no Senhor, caríssimos. 2Rogo a Evódia e suplico a Síntiquem1, sejam unidas no Senhor. 3E peço também a ti, meu fiel companheiro, que as ajudes porque comigo trabalharam em prol do Evangelho com Clemente2 e meus outros colaboradores, cujos nomes estão no livro da vida.

1. Duas cristãs de Filipos, que andavam a mal.

2. Um membro influente da comunidade.

Gradual / Salmo 43. 8-9

Gradual e Aleluia, são cantos intercalares, por via de regra, tirados dos salmos e que traduzem os devotos afetos produzidos na alma pela leitura da Epístola ou sugeridos pelo Mistério do dia.

Liberásti nos, Dómine, ex affligéntibus nos: et eos, qui nos odérunt, confudísti. ℣.In Deo laudábimur tota die, et in nómine tuo confitébimur in sæcula.

Vós nos livrastes, Senhor, dos que nos afligiam e confundistes os que nos odiavam. ℣.Em Deus nos gloriamos todo o dia; e louvamos eternamente o vosso Nome.

Aleluia / Salmo 129. 1-2

Allelúia, allelúia. ℣.De profúndis clamávi ad te, Dómine: Dómine, exáudi oratiónem meam. Allelúia.

Aleluia, aleluia. ℣.Das profundezas do abismo, clamei a Vós, Senhor! Senhor atendei à minha oração. Aleluia.

Evangelho segundo São Mateus 9. 18-26

Símbolo da ressurreição espiritual das almas, os milagres de cura e ressurreição, realizados por Jesus, são também o prenúncio da ressurreição corporal.

In illo témpore: Loquénte Iesu ad turbas, ecce, princeps unus accéssit et adorábat eum, dicens: Dómine, fília mea modo defúncta est: sed veni, impóne manum tuam super eam, et vivet. Et surgens Iesus sequebátur eum et discípuli eius. Et ecce múlier, quæ sánguinis fluxum patiebátur duódecim annis, accéssit retro et tétigit fímbriam vestiménti eius. Dicébat enim intra se: Si tetígero tantum vestiméntum eius, salva ero. At Iesus convérsus et videns eam, dixit: Confíde, fília, fides tua te salvam fecit. Et salva facta est múlier ex illa hora. Et cum venísset Iesus in domum príncipis, et vidísset tibícines et turbam tumultuántem, dicebat: Recédite: non est enim mórtua puélla, sed dormit. Et deridébant eum. Et cum eiécta esset turba, intrávit et ténuit manum eius. Et surréxit puélla. Et éxiit fama hæc in univérsam terram illam.

Naquele tempo, 18falava Jesus ao povo, quando se aproximou d’Ele um príncipe da sinagoga e O adorou, dizendo: Senhor, agora mesmo faleceu a minha filha; mas vinde, imponde a vossa mão sobre ela, e viverá. 19Jesus levantou-se e seguiu-o com os seus discípulos. 20E eis que uma mulher, que havia doze anos padecia de um fluxo de sangue, chegou-se por detrás d’Ele e tocou-Lhe na orla do vestido. 21Porque dizia consigo: Se eu tão somente tocar no seu vestido, ficarei curada. 22Voltou-se Jesus, e vendo-a disse: Tem confiança, filha, tua fé te salvou. E naquela hora a mulher foi curada. 23Quando Jesus chegou à casa do príncipe, e viu os tocadores de flauta e muita gente em alarido, disse-lhes: 24Retirai-vos, porque a menina não está morta, mas dorme. E riam-se d’Ele. 25Mas depois que fez sair a gente, Jesus entrou, tomou a menina pela mão, e ela se levantou. 26E divulgou-se a notícia deste milagre por toda aquela região.

CREDO…

Concluímos a Ante-Missa com essa profissão de fé.

Ofertório / Salmo 129. 1-2

Com o Ofertório, começa a segunda parte da Missa ou Sacrifício propriamente dito.

Com o Ofertório, começa a segunda parte da Missa ou Sacrifício propriamente dito.Três elementos o constituíam antigamente: apresentação das oferendas, canto de procissão, oração sobre as oblatas.

De profúndis clamávi ad te, Dómine: Dómine, exáudi oratiónem meam: de profúndis clamávi ad te, Dómine.

Das profundezas do abismo, eu clamo a Vós, Senhor! Senhor, atendei à minha oração. Das profundezas do abismo, eu clamo a Vós, Senhor.

Secreta

É a antiga “oração sobre as oblatas”, ponto de ligação entre o Ofertório e o Cânon.

Pro nostræ servitútis augménto sacrifícium tibi, Dómine, laudis offérimus: ut, quod imméritis contulísti, propítius exsequáris. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Para aumentar o nosso zelo em Vos servir, nós Vos oferecemos, Senhor, este sacrifício de louvor, a fim de que por vossa bondade completeis em nós o que sem merecimento nosso nos confiastes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Communio / S. Marcos 11. 24

Alternando com o canto dum salmo, acompanhava (e ainda hoje pode acompanhar) a comunhão dos fiéis.

Nas Missas cantadas, se canta, enquanto o sacerdote toma as abluções e recita as orações seguintes em que se pedem para a alma os frutos da Comunhão.

Amen, dico vobis, quidquid orántes pétitis, crédite, quia accipiétis, et fiet vobis.

Em verdade, vos digo: tudo o que pedirdes em vossa oração, crede que o recebereis, e vos será feito.

Postcommunio

Súplica a Deus para que nos conceda os frutos do Sacrifício.

Quǽsumus, omnípotens Deus: ut, quos divína tríbuis participatióne gaudére, humánis non sinas subiacére perículis. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Nós Vos suplicamos, ó Deus onipotente, não permitais sucumbam aos perigos humanos aqueles a quem concedestes a alegria de participar dos divinos Mistérios. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Meditação

Desígnios de Paz e de Amor

Senhor, cumpri em mim os Vossos desígnios de paz e de amor, fazendo-me renascer para uma vida plenamente fervorosa.

1 — Apesar dos altos ideais e do desejo de santidade, encontramo-nos sempre cheios de misérias, sempre em dívida para com Deus e, ao aproximarmo-nos dEle, a nossa alma treme com razão: como nos acolherá? Não nos afastará de Si? A resposta, porém, é muito diferente da que nós merecíamos: « Os meus desígnios a vosso respeito, diz o Senhor, são de paz e não de desgraça. Invocar-me-eis e hei-de atender-vos. Hei-de reconduzir-vos de todos os países onde estáveis cativos ». Estas consoladoras palavras que lemos hoje no Intróito da Missa abrem de par em par o nosso coração às mais doces esperanças: apesar de tudo, Deus ama-nos, Deus é sempre o nosso Pai e quer libertar-nos da escravidão das nossas paixões e das nossas fraquezas. Sobe então espontaneamente aos lábios a humilde invocação da Colecta: « Perdoai, Senhor, as faltas do Vosso povo, para que, pela Vossa bondade, sejamos livres dos laços dos pecados contraídos por nossa fraqueza ». A humildade, o reconhecimento sincero das próprias faltas, é sempre o ponto de partida para a conversão.

S. Paulo, na Epístola, fala-nos da conversão (Fil. 3, 17-21; 4, 1-3): « Muitos, de quem muitas vezes vos falei e também agora falo com lágrimas, procedem como inimigos da cruz de Cristo… gostando somente das coisas terrenas ». Praticamente, cada vez que fugimos do sacri­fício, que protestamos contra a dor ou buscamos satis­fações egoístas, comportamo-nos como inimigos da cruz de Jesus e assim a nossa vida torna-se muito terra a terra, muito presa às criaturas, demasiado pesada para nos podermos elevar ao céu. Temos de nos converter, de nos desprender, de nos recordar de que « somos cidadãos do céu » e por isso, devemos abraçar de boa vontade as fadigas da viagem de regresso à pátria bem-aventurada. Para nos animar, S. Paulo põe-nos diante dos olhos os esplendores da vida eterna: « Jesus Cristo… transformará o nosso corpo de miséria, fazendo-o semelhante ao Seu glorioso ». Eis os « desígnios de paz », eis os grandes desígnios de amor que o Pai celeste tem sobre nós: libertar-nos da escravidão do pecado e conformar-nos com o Seu Filho até nos tornar participantes da Sua gloriosa ressurreição. Desígnios maravilhosos, mas que não se realizarão se os não secundarmos. « Portanto, meus muito amados e desejados irmãos, minha alegria e minha coroa — suplica o Apóstolo — permanecei assim firmes no Senhor ». Firmes, quer dizer constantes na conversão; firmes na humildade, na confiança, no amor à cruz.

2 — O Evangelho do dia (Mt. 9, 18-26) é uma prova evidente desta transformação que Deus quer efetuar em nós, é um exemplo do modo como Ele realiza os Seus desígnios de paz naqueles que recorrem a Ele com um coração humilde e confiante. Em primeiro lugar a hemorroíssa3: o seu mal é tenaz, há doze anos que resiste a todos os remédios; a pobre mulher, humilhada e confusa, não ousa, como os outros doentes, apresentar-se diretamente a Jesus, mas por outro lado a sua fé é tão grande que pensa: « Ainda que eu toque somente o Seu vestido, serei curada »; aproxima-se furtivamente e toca-Lhe ao de leve na orla do manto. Jesus adverte aquele leve toque e, voltando-Se, diz: « Tem confiança, filha; a tua fé te salvou ». Nenhum pedido, nenhuma súplica externa, o que comove o Senhor é a prece daquele coração humilde, confiante e cheio de fé.

Como Jesus curou aquela mulher, quer curar as nossas almas, mas espera disposições semelhantes às suas. Muito facilmente nos contentamos com orações vocais enquanto o coração permanece frio e ausente; mas Jesus vê o coração e quer a oração do coração: grito de humildade e confiança, grito que sobe direto ao Coração divino. De resto, como somos mais afortunados do que a pobre doente! Ela conseguiu uma só vez tocar na fímbria do manto de Jesus, ao passo que a nossa alma todos os dias, na comunhão, está em con­tato com o Seu Corpo e o Seu Sangue. Oh! se tivéssemos uma fé tão grande como um grão de mostarda!

O Evangelho narra ainda um segundo milagre. A filha de Jairo não está doente, está morta. Mas para Jesus não é mais difícil ressuscitar um morto do que curar um doente. Como verdadeiro Senhor da vida e da morte, « tomou-a pela mão e a menina levantou-se ». Jesus é a nossa ressurreição não só para a vida eterna quando, a um sinal Seu, o nosso corpo ressuscitar glorioso e de novo se unir à alma, mas é também a nossa ressurreição nesta vida: ressurreição da morte do pecado para a vida da graça, ressurreição de uma vida tíbia para uma vida fervorosa, ou de uma vida fervorosa para uma vida santa.

Aproximemo-nos de Jesus com a humildade e a con­fiança da hemorroíssa3 e peçamos-Lhe, de todo o coração, que cumpra em nós os Seus desígnios de amor, arran­cando-nos da mediocridade duma vida espiritual emba­raçada ainda nos laços do egoísmo, para nos lançarmos decididamente no caminho da santidade.

Extraído do Livro Intimidade Divina­ — P. Gabriel de Santa Maria Madalena O.C.D.
Segunda edição (Traduzida da 12ª edição italiana) — 1967.

3. Mulher que sofre de distúrbios relacionado a fluxo sanguíneo contínuo

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