« Liturgia Dominical » † Domingo da Septuagésima roxo – 2ª classe. « A Septuagésima é um introito admirável ao espírito da Quaresma e à libertação Pascal. » Intróito / CIRCUMDEDÉRUNT ME Salmo 17. 5-7, 2-3 O Intróito como que enuncia o tema geral da Missa ou solenidade do dia. Canto solene de entrada, o Introito […]
" /> Liturgia Dominical – † Domingo da Septuagésima

Liturgia Dominical – † Domingo da Septuagésima

« Liturgia Dominical »

† Domingo da Septuagésima
roxo – 2ª classe.

« A Septuagésima é um introito admirável ao espírito da Quaresma e à libertação Pascal. »

Intróito / CIRCUMDEDÉRUNT ME Salmo 17. 5-7, 2-3

O Intróito como que enuncia o tema geral da Missa ou solenidade do dia.

Canto solene de entrada, o Introito como que enuncia o tema geral da Missa ou solenidade do dia. Compunha-se antigamente duma antífona e de um salmo, que se cantava por inteiro. Hoje o salmo está reduzido a um só versículo.

Circumdedérunt me gémitus mortis, dolóres inférni circumdedérunt me: et in tribulatióne mea invocávi Dóminum, et exaudívit de templo sancto suo vocem meam. Ps. Díligam te, Dómine, fortitúdo mea: Dóminus firmaméntum meum, et refúgium meum, et liberátor meus. ℣. Glória Patri

Cercaram-me gemidos de morte: envolveram-me dores de inferno. Em minha angústia invoquei o Senhor e, de seu santo templo, Ele ouviu a minha voz. Sl. Eu vos amo, Senhor, que sois a minha força. O Senhor é meu apoio, meu refúgio e meu libertador. ℣. Glória ao Pai.

Oração (Colecta)

Pedimos ao Senhor aquilo de que precisamos nesse dia para a nossa salvação.

Numa breve oração, o celebrante resume e apresenta a Deus os votos de toda a assembleia, votos estes sugeridos pelo mistério ou solenidade do dia.

Preces pópuli tui, quǽsumus, Dómine, cleménter exáudi: ut, qui iuste pro peccátis nostris afflígimur, pro tui nóminis glória misericórditer liberémur. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Nós Vos suplicamos, Senhor, que escuteis, clemente, as preces de vosso povo, a fim de que, para glória de vosso Nome, vossa misericórdia nos livres dos males com que vossa justiça nos aflige pelos nossos pecados. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Epístola de S. Paulo Apóstolo aos Coríntios 1 9. 24-27; 10. 1-5

Não basta pertencer ao povo de Deus e beneficiar da sua graça. Para cristãos, como para Judeus, a vitória final é fruto de um combate: é mister lutar contra as seduções do mal e ser fiel a Deus.

Fratres: Nescítis, quod ii, qui in stádio currunt, omnes quidem currunt, sed unus áccipit bravíum? Sic cúrrite, ut comprehendátis. Omnis autem, qui in agóne conténdit, ab ómnibus se ábstinet: et illi quidem, ut corruptíbilem corónam accípiant; nos autem incorrúptam. Ego ígitur sic curro, non quasi in incértum: sic pugno, non quasi áërem vérberans: sed castígo corpus meum, et in servitútem rédigo: ne forte, cum áliis prædicáverim, ipse réprobus effíciar. Nolo enim vos ignoráre, fratres, quóniam patres nostri omnes sub nube fuérunt, et omnes mare transiérunt, et omnes in Móyse baptizáti sunt in nube et in mari: et omnes eándem escam spiritálem manducavérunt, et omnes eúndem potum spiritálem bibérunt bibébant autem de spiritáli, consequénte eos, petra: petra autem erat Christus: sed non in plúribus eórum beneplácitum est Deo.

Irmãos: 24Não sabeis que os que correm no estádio, correm todos em verdade, mas um só recebe o prêmio? Correi, pois, de modo a alcançá-lo. 25Todos os que combatem na arena, de tudo se abstêm, e eles em verdade o fazem só para alcançar uma coroa corruptível. Nós, porém, para uma incorruptível. 26Eu assim corro, pois, mas não como ao acaso; assim combato, porém, não como quem açoita o ar; 27pois, castigo o meu corpo e o submeto à servidão para que não suceda que, tendo pregado aos outros, seja eu mesmo reprovado. 1Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem1, que todos passaram o mar, 2e todos sob Moisés2, na nuvem e no mar foram batizados; 3todos comeram o mesmo alimento espiritual3, 4e beberam todos da mesma bebida espiritual4 (por que bebiam todos da rocha espiritual que os seguia, e esta rocha era o Cristo), 5mas de muitos deles Deus não se agradou.

1 Êxodo 14.21 e 14.22.

2 Beneficiando, como ele, da proteção miraculosa de Deus, por ocasião da saída do Egito.

3 O maná.

4 A água, que Deus fez jorrar dos rochedos.

Gradual / Salmo 9. 10-11, 19-20

Cantos, por via de regra, tirados dos Salmos e que traduzem os devotos afetos produzidos na alma pela leitura da Epístola ou sugeridos pelo Mistério do dia.

Adiútor in opportunitátibus, in tribulatióne: sperent in te, qui novérunt te: quóniam non derelínquis quæréntes te, Dómine. ℣. Quóniam non in finem oblívio erit páuperis: patiéntia páuperum non períbit in ætérnum: exsúrge, Dómine, non præváleat homo.

O senhor se fez o refúgio do pobre, socorrendo-o oportunamente na tribulação. Em Vós confiem, Senhor, os que Vos conhecem, porque nunca desamparais os que Vos procuram. ℣. Porque não estará para sempre esquecido o pobre, nem a paciência dos infelizes será frustrada para sempre: levantai-Vos, Senhor, não prevaleça o homem.

Tracto / Salmo 129. 1-4

No Tempo da Septuagésima, o Alleluia é substituído pelo Tracto.

De profúndis clamávi ad te. Dómine: Dómine, exáudi vocem meam. ℣. Fiant aures tuæ intendéntes in oratiónem servi tui. ℣. Si iniquitátes observáveris, Dómine: Dómine, quis sustinébit? ℣. Quia apud te propitiátio est, et propter legem tuam sustínui te, Dómine.

Das profundezas do abismo, eu clamo a Vós, Senhor! Senhor, escutai a minha voz. ℣. Estejam os vossos ouvidos atentos à oração de vosso servo. ℣. Se observardes, Senhor, as nossas iniquidades, Senhor, quem subsistirá? ℣. Porque Vós amais o perdão e por causa de vossa lei, em Vós espero, Senhor.

Evangelho segundo São Mateus 20. 1-16

Deus convida todos os homens a trabalhar na sua vinha, mas, qualquer que seja a hora, a que forem chamados, a recompensa, sempre livre e magnânima, excede muitíssimo o trabalho realizado.

In illo témpore: Dixit Iesus discípulis suis parábolam hanc: Simile est regnum cælórum hómini patrifamílias, qui éxiit primo mane condúcere operários in víneam suam. Conventióne autem facta cum operáriis ex denário diúrno, misit eos in víneam suam. Et egréssus circa horam tértiam, vidit álios stantes in foro otiósos, et dixit illis: Ite et vos in víneam meam, et quod iustum fúerit, dabo vobis. Illi autem abiérunt. Iterum autem éxiit circa sextam et nonam horam: et fecit simíliter. Circa undécimam vero éxiit, et invénit álios stantes, et dicit illis: Quid hic statis tota die otiósi? Dicunt ei: Quia nemo nos condúxit. Dicit illis: Ite et vos in víneam meam. Cum sero autem factum esset, dicit dóminus víneæ procuratóri suo: Voca operários, et redde illis mercédem, incípiens a novíssimis usque ad primos. Cum veníssent ergo qui circa undécimam horam vénerant, accepérunt síngulos denários. Veniéntes autem et primi, arbitráti sunt, quod plus essent acceptúri: accepérunt autem et ipsi síngulos denários. Et accipiéntes murmurábant advérsus patremfamílias, dicéntes: Hi novíssimi una hora fecérunt et pares illos nobis fecísti, qui portávimus pondus diéi et æstus. At ille respóndens uni eórum, dixit: Amíce, non facio tibi iniúriam: nonne ex denário convenísti mecum? Tolle quod tuum est, et vade: volo autem et huic novíssimo dare sicut et tibi. Aut non licet mihi, quod volo, fácere? an óculus tuus nequam est, quia ego bonus sum? Sic erunt novíssimi primi, et primi novíssimi. Multi enim sunt vocáti, pauci vero elécti.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: 1O Reino dos céus é semelhante a um pai de família que saiu ao romper da manhã a contratar operários para a sua vinha. 2Tendo ajustado com alguns por um dinheiro ao dia, mandou-os para a sua vinha. 3Saindo perto da hora terceira5, viu outros que estavam ociosos na praça. 4E disse-lhes: Ide vós também para minha vinha, e dar-vos-ei o que for justo. 5E eles foram. Saindo outra vez perto da sexta e da nona hora, fez o mesmo. 6E saindo quase à undécima hora6, ainda achou outros por ali, e disse-lhes; Por que ficais aqui ociosos todo o dia? 7Responderam-lhe eles: porque ninguém nos contratou. Ele lhes disse: Ide vós, também para a minha vinha. 8Caindo já a tarde, disse o Senhor da vinha a seu feitor: Chama os trabalhadores e paga-lhes a diária, a começar dos últimos até os primeiros. 9Chegando, pois, os que tinham vindo perto da undécima hora, cada um recebeu um dinheiro. 10Vindo, depois, os primeiros, julgaram que haviam de receber mais; receberam, porém, um dinheiro cada um. 11Tomando-o, murmuravam contra o pai de família, 12dizendo: Estes últimos trabalharam uma hora, e os igualastes conosco que suportamos o peso e o calor do dia. 13Ele, porém, respondendo a um deles, disse: Amigo, não te faço injustiça: não te ajustastes comigo por um dinheiro? 14Toma o que é teu e vai-te: pois quero dar a este último tanto quanto a ti. 15Porventura, não me é lícito fazer do meu o que quiser? Ou é invejoso o teu olho porque eu sou bom? 16Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros, os últimos, porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos.

5 Cerca das nove horas.

6 Cinco horas da tarde; resta apenas uma hora de trabalho.

CREDO…

Concluímos a Ante-Missa com essa profissão de fé.

Breve compêndio das verdades cristãs e Símbolo da fé católica. Com a Igreja, afirmemo-las publicamente e renovemos a profissão de fé que fizemos no Batismo.

Ofertório / Salmo 91. 2

Com o Ofertório, começa a segunda parte da Missa ou Sacrifício propriamente dito. Três elementos o constituíam antigamente: apresentação das oferendas, canto de procissão, oração sobre as oblatas.

Bonum est confitéri Dómino, et psállere nómini tuo, Altíssime.

Bom é louvar ao Senhor e cantar salmos ao vosso Nome, ó Altíssimo.

Secreta

É a antiga « oração sobre as oblatas », ponto de ligação entre o Ofertório e o Cânon. É neste último que se faz propriamente a oblação do sacrifício.

Munéribus nostris, quǽsumus, Dómine, precibúsque suscéptis: et cæléstibus nos munda mystériis, et cleménter exáudi. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Nós Vos suplicamos, Senhor, que, recebendo as nossas ofertas e preces, nos purifiqueis com os celestes Mistérios e benignamente nos atendais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Communio / Salmo 30. 17-18

Alternando com o canto dum salmo, acompanhava (e ainda hoje pode acompanhar) a comunhão dos fiéis.

Nas Missas cantadas, se canta, enquanto o sacerdote toma as abluções e recita as orações seguintes em que se pedem para a alma os frutos da Comunhão.

Illúmina fáciem tuam super servum tuum, et salvum me fac in tua misericórdia: Dómine, non confúndar, quóniam invocávi te.

Fazei a vossa face resplandecer sobre o vosso servo, e salvai-me por vossa misericórdia: Senhor, não serei confundido, porque clamo por Vós.

Postcommunio

Súplica a Deus para que nos conceda os frutos do Sacrifício.

Fidéles tui, Deus, per tua dona firméntur: ut eadem et percipiéndo requírant, et quæréndo sine fine percípiant. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Vossos fiéis, ó Deus, sejam fortalecidos com os vossos Dons, para que, recebendo-os, continuem a desejá-los; e desejando-os para sempre os gozem. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Meditação

Novo programa

Senhor, aproximo-me de Vós com o vivo desejo de aprender a corresponder aos Vossos convites.

1 — O tempo da Septuagésima pode ser considerado como o vestíbulo da Quaresma, tempo clássico da reforma espiritual; por isso a liturgia apresenta-nos hoje o programa do que devemos fazer para nos dispormos para uma nova e séria conversão a fim de ressuscitarmos depois com Cristo na próxima Páscoa. A Coleta da Missa, lembrando-nos que somos pecadores, convida-nos a sentimentos de profunda humildade: « para que nós, que justamente somos afligidos por nossos pecados, sejamos misericordiosamente livres ». O primeiro passo para a conversão é sempre o reconhecer humildemente que temos dela necessidade. O tíbio deve tornar-se fervoroso, o fervoroso chegar à perfeição e o perfeito deve atingir o heroísmo da virtude. Quem poderá dizer que já não precisa de fazer algum progresso na virtude e na santidade? Cada novo progresso realiza uma nova conversão a Deus, conversio ad Deum. Na sua epístola, (I Cor. 9, 24-27; 10, 1-5), S. Paulo estimula-nos a este contínuo esforço espiritual; para chegar à santidade, à glória do céu, nunca devemos deixar de correr e lutar como os jogadores que lutam e se cansam no estádio « para alcançarem uma coroa corruptível; nós porém uma incorruptível. Quanto a mim — diz o apóstolo — corro… combato, não como quem açoita o ar, mas castigo o meu corpo e o reduzo à escravidão ». Eis o primeiro ponto do programa: luta generosa para nos vencermos a nós próprios, para vencer o mal e conquistar o bem; abnegação do próprio corpo pela mortificação física. O prêmio será só para quem se cansa e luta: corramos, portanto, também nós, de modo a alcançar o prêmio.

2 — O Evangelho (Mt. 20, 1-16), apresenta-nos a segunda parte do programa deste tempo litúrgico: não permanecer ocioso, mas trabalhar assiduamente na vinha do Senhor. A primeira vinha que devemos cultivar é a nossa alma; Deus vem-nos ao encontro com a Sua graça, mas não quer santificar-nos só: espera a nossa colaboração. Neste domingo renova-se para cada alma o grande apelo à santidade; Deus vai amorosamente à procura dos filhos dispersos e ociosos e repreende-os docemente: Porque estais aqui sem fazer nada? « Deus — diz S.ta M. Madalena de Pazzi — chama a diversas horas porque são diversos os estados das criaturas; e nesta variedade bem se descobre a grandeza de Deus e a Sua benignidade que nunca cessa — qualquer que seja o tempo ou estado em que nos encontremos — de nos chamar com as Suas divinas inspirações ». Felizes aqueles que desde a sua juventude ouviram e seguiram o apelo divino! Porém, todas as horas são de Deus, e Deus passa e chama até à última hora. Que consolação e, ao mesmo tempo, que estímulo, responder finalmente ao chamamento do Senhor! « Oxalá que ouçais hoje a Sua voz! Não endureçais os vossos corações » (Sl. 94, 7 e 8).

Além da vinha da nossa alma, devemos considerar a vinha da Igreja, onde tantas almas esperam ser conquistadas para Cristo. Ninguém pode julgar-se dispensado de pensar no bem dos outros; por humilde que seja o nosso lugar no Corpo Místico de Cristo, todos somos Seus membros e, por consequência, cada um de nós deve cooperar para o bem alheio. Para todos existe a possibilidade duma ação apostólica eficaz através do exemplo, da oração e do sacrifício. Se até agora temos feito pouco, ouçamos hoje a palavra de Jesus: « Ide vós também para a minha vinha ». Vamos e abracemos com generosidade o trabalho que o Senhor nos apresenta. Nada nos deve parecer demasiadamente custoso quando se trata de ganhar-Lhe almas.

Extraído do Livro Intimidade Divina­ — P. Gabriel de Santa Maria Madalena O.C.D.
Segunda edição (Traduzida da 12ª edição italiana) — 1967.

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