« Liturgia Dominical » † Domingo da Sexagésima roxo – 2ª classe. « parte caiu junto ao caminho e foi pisada, e as aves do céu a comeram. » Ev. Intróito / EXSÚRGE — Salmo 43, 23-26, 2 O Intróito como que enuncia o tema geral da Missa ou solenidade do dia. Canto solene de entrada, o Introito […]
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Liturgia Dominical – † Domingo da Sexagésima

« Liturgia Dominical »

† Domingo da Sexagésima
roxo – 2ª classe.

« parte caiu junto ao caminho e foi pisada, e as aves do céu a comeram. » Ev.

Intróito / EXSÚRGE — Salmo 43, 23-26, 2

O Intróito como que enuncia o tema geral da Missa ou solenidade do dia.

Canto solene de entrada, o Introito como que enuncia o tema geral da Missa ou solenidade do dia. Compunha-se antigamente duma antífona e de um salmo, que se cantava por inteiro. Hoje o salmo está reduzido a um só versículo.

Exsúrge, quare obdórmis, Dómine? exsúrge, et ne repéllas in finem: quare fáciem tuam avértis, oblivísceris tribulatiónem nostram? adhaesit in terra venter noster: exsúrge, Dómine, ádiuva nos, et líbera nos. Ps. Deus, áuribus nostris audívimus: patres nostri annuntiavérunt nobis. ℣. Glória Patri.

Acordai, Senhor, por que dormis? Levantai-Vos, não nos rejeiteis para sempre. Por que desviais a vossa face e Vos esqueceis de nossa angústia? Nosso corpo adere à terra. Levantai-Vos, Senhor, socorrei-nos e salvai-nos. Sl. Ó Deus, com os nossos ouvidos, ouvimos; nossos pais no-lo contaram. ℣. Glória ao Pai.

Oração (Colecta)

Pedimos ao Senhor aquilo de que precisamos nesse dia para a nossa salvação.

Numa breve oração, o celebrante resume e apresenta a Deus os votos de toda a assembleia, votos estes sugeridos pelo mistério ou solenidade do dia.

Deus, qui cónspicis, quia ex nulla nostra actióne confídimus: concéde propítius; ut, contra advérsa ómnia, Doctóris géntium protectióne muniámur. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Ó Deus, que vedes que não confiamos absolutamente em nossos méritos, concedei, benigno, que contra todas as adversidades, sejamos protegidos pelo Doutor das gentes1. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

1 Literalmente: « dos Gentios », isto é, dos pagãos. Evangelizador do mundo pagão, S. Paulo continua a ser, para a Igreja, o apóstolo da vocação universal à fé cristã.

Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios 2. 11.19-33; 12.1-9

Esta página vibrante, em que S. Paulo, para confundir os adversários, se viu forçado a apelar para a sua vida heroica ao serviço da Igreja, termina por uma confissão de impotência e fragilidade: o poder divino na fragilidade humana.

Fratres: Libénter suffértis insipiéntens: cum sitis ipsi sapiéntes. Sustinétis enim, si quis vos in servitútem rédigit, si quis dévorat, si quis áccipit, si quis extóllitur, si quis in fáciem vos cædit. Secúndum ignobilitátem dico, quasi nos infírmi fuérimus in hac parte. In quo quis audet, – in insipiéntia dico – áudeo et ego: Hebraei sunt, et ego: Israelítæ sunt, et ego: Semen Abrahæ sunt, et ego: Minístri Christi sunt, – ut minus sápiens dico – plus ego: in labóribus plúrimis, in carcéribus abundántius, in plagis supra modum, in mórtibus frequénter. A Iudaeis quínquies quadragénas, una minus, accépi. Ter virgis cæsus sum, semel lapidátus sum, ter naufrágium feci, nocte et die in profúndo maris fui: in itinéribus sæpe, perículis flúminum, perículis latrónum, perículis ex génere, perículis ex géntibus, perículis in civitáte, perículis in solitúdine, perículis in mari, perículis in falsis frátribus: in labóre et ærúmna, in vigíliis multis, in fame et siti, in ieiúniis multis, in frigóre et nuditáte: præter illa, quæ extrínsecus sunt, instántia mea cotidiána, sollicitúdo ómnium Ecclesiárum. Quis infirmátur, et ego non infírmor? quis scandalizátur, et ego non uror? Si gloriári opórtet: quæ infirmitátis meæ sunt, gloriábor. Deus et Pater Dómini nostri Iesu Christi, qui est benedíctus in saecula, scit quod non méntior. Damásci præpósitus gentis Arétæ regis, custodiébat civitátem Damascenórum, ut me comprehénderet: et per fenéstram in sporta dimíssus sum per murum, et sic effúgi manus eius. Si gloriári opórtet – non éxpedit quidem, – véniam autem ad visiónes et revelatiónes Dómini. Scio hóminem in Christo ante annos quatuórdecim, – sive in córpore néscio, sive extra corpus néscio, Deus scit – raptum huiúsmodi usque ad tértium cælum. Et scio huiúsmodi hóminem, – sive in córpore, sive extra corpus néscio, Deus scit:- quóniam raptus est in paradisum: et audivit arcána verba, quæ non licet homini loqui. Pro huiúsmodi gloriábor: pro me autem nihil gloriábor nisi in infirmitátibus meis. Nam, et si volúero gloriári, non ero insípiens: veritátem enim dicam: parco autem, ne quis me exístimet supra id, quod videt in me, aut áliquid audit ex me. Et ne magnitúdo revelatiónem extóllat me, datus est mihi stímulus carnis meæ ángelus sátanæ, qui me colaphízet. Propter quod ter Dóminum rogávi, ut discéderet a me: et dixit mihi: Súfficit tibi grátia mea: nam virtus in infirmitáte perfícitur. Libénter ígitur gloriábor in infirmitátibus meis, ut inhábitet in me virtus Christi.

Irmãos: 19De bom ânimo suportais os insensatos, sendo vós, sábios. 20Pois tolerais que vos ponham em escravidão, que vos explorem, que se apoderem de vossos bens, que vos tratem com arrogância, que vos batam no rosto. 21Envergonhado confesso: neste ponto, temos sido fracos. Em qualquer coisa, porém, que alguém se atreva (falo como insensato), também eu me atrevo. 22São hebreus? Também eu. São descendentes de Abraão? Também eu. 23São ministros de Cristo? (Como menos sábio falo), mais o sou eu: muito mais pelos trabalhos, pelas prisões muitíssimo mais, pelos açoites sem conta, em perigos de morte frequentemente. 24Dos judeus recebi, cinco vezes, quarenta açoites, menos um2. 25Três vezes fui açoitado com varas; uma vez fui apedrejado; três vezes naufraguei; uma noite e um dia estive no alto mar. 26Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de ladrões; em perigos dos de minha nação, em perigos da parte dos gentios, em perigos da cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; 27em trabalho e fadiga, em muitas vigílias, na fome e na sede, em frequentes jejuns, no frio e na nudez. 28Além destas coisas, que são exteriores, a minha preocupação quotidiana, o cuidado de todas as Igrejas. 29Quem está enfermo que eu não fique enfermo? Quem é escandalizado, que eu não me abrase? 30Se convém gloriar-se, gloriar-me-ei então da minha fraqueza. 31O Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é bendito nos séculos, sabe que não minto. 32Em Damasco, mandou o preposto do rei Aretas guardar a cidade dos damascenos para me prender, 33mas num cesto me desceram por uma janela, da muralha abaixo, e assim escapei de suas mãos3. 1Se convém gloriar-se (certamente não convém), virei agora às visões e revelações do Senhor. 2Conheço um homem em Cristo, [Paulo] que, há quatorze anos (se no corpo ou fora do corpo, não sei, mas Deus o sabe), foi arrebatado até o terceiro céu. 3E sei a respeito desse homem (se no corpo ou fora do corpo, não sei, mas Deus o sabe), 4que foi arrebatado ao paraíso, e ouviu palavras inefáveis que ao homem não é permitido proferir. 5Nisto é que me gloriarei, mas de mim mesmo não me gloriarei, a não ser de minhas fraquezas. 6Verdade é que, se me quisesse gloriar, não seria insensato, porque diria a verdade; abstenho-me, no entanto, para que ninguém me estime acima do que vê em mim ou de mim ouve. 7E para que não me ensoberbecesse a grandeza das revelações, foi-me dado o estímulo de minha carne [provavelmente doenças físicas], qual anjo de satanás que me esbofeteie4. 8Por causa dele roguei ao Senhor três vezes que de mim o desviasse. 9E Ele me disse: Basta-te a minha graça, porque a força [de Deus] se manifesta de modo mais completo na fraqueza [humana]. Portanto, de bom grado me gloriarei em minhas fraquezas, para que habite em mim a força do Cristo.

2 O número de açoites era limitado a quarenta. Porém, para evitar o perigo de ultrapassar este número, interrompia-se aos trinta e nove.

3 Ver Atos 9. 23-25.

4 Muito se tem discutido a cerca deste « estímulo » e deste « anjo de satanás »; não se sabe ao certo a que se refere.

Gradual / Salmo 82. 19-14

Cantos, por via de regra, tirados dos Salmos e que traduzem os devotos afetos produzidos na alma pela leitura da Epístola ou sugeridos pelo Mistério do dia.

Sciant gentes, quóniam nomen tibi Deus: tu solus Altíssimus super omnem terram. ℣. Deus meus, pone illos ut rotam, et sicut stípulam ante fáciem venti.

Saibam os povos que o vosso Nome é Deus; somente Vós sois o Altíssimo sobre toda a terra. ℣. Meu Deus, fazei-os semelhantes à folhagem e à palha que o vento leva.

Tracto / Salmo 59. 4, 6

Cantos, por via de regra, tirados dos salmos e que traduzem os devotos afetos produzidos na alma pela leitura da Epístola ou sugeridos pelo Mistério do dia.

No Tempo da Septuagésima, o Alleluia é substituído pelo Tracto.

Commovísti, Dómine, terram, et conturbásti eam. ℣. Sana contritiónes eius, quia mota est. ℣. Ut fúgiant a fácie arcus: ut liberéntur elécti tui.

Vós, Senhor, abalastes a terra e a fizestes estremecer. ℣. Fechai suas fendas, porque está a desmoronar. ℣. Para que escapem às flechas vingadoras; para que vossos eleitos sejam livres.

Evangelho segundo São Lucas 8. 4-15

Somos terra semeada por Deus, e a palavra de Deus, semente divina, é de fecundidade infinita, contanto que a acolhamos e deixemos germinar. Encerra-se neste pensamento toda a vida cristã.

In illo témpore: Cum turba plúrima convenírent, et de civitátibus properárent ad Iesum, dixit per similitúdinem: Exiit, qui séminat, semináre semen suum: et dum séminat, áliud cécidit secus viam, et conculcátum est, et vólucres cæli comedérunt illud. Et áliud cécidit supra petram: et natum áruit, quia non habébat humórem. Et áliud cécidit inter spinas, et simul exórtæ spinæ suffocavérunt illud. Et áliud cécidit in terram bonam: et ortum fecit fructum céntuplum. Hæc dicens, clamábat: Qui habet aures audiéndi, audiat. Interrogábant autem eum discípuli eius, quæ esset hæc parábola. Quibus ipse dixit: Vobis datum est nosse mystérium regni Dei, céteris autem in parábolis: ut vidéntes non videant, et audientes non intéllegant. Est autem hæc parábola: Semen est verbum Dei. Qui autem secus viam, hi sunt qui áudiunt: déinde venit diábolus, et tollit verbum de corde eórum, ne credéntes salvi fiant. Nam qui supra petram: qui cum audierint, cum gáudio suscipiunt verbum: et hi radíces non habent: qui ad tempus credunt, et in témpore tentatiónis recédunt. Quod autem in spinas cécidit: hi sunt, qui audiérunt, et a sollicitudínibus et divítiis et voluptátibus vitæ eúntes, suffocántur, et non réferunt fructum. Quod autem in bonam terram: hi sunt, qui in corde bono et óptimo audiéntes verbum rétinent, et fructum áfferunt in patiéntia.

Naquele tempo, 4tendo-se reunido muito povo, e como os habitantes de várias cidades tivessem ido a Jesus, propôs-lhes Ele esta parábola: 5Saiu o semeador a semear sua semente; e ao semeá-la, parte caiu junto ao caminho e foi pisada, e as aves do céu a comeram. 6Outra parte caiu sobre a pedra e quando nasceu, secou logo, por não haver umidade. 7Outra parte caiu entre os espinhos, e os espinhos, nascendo com ela, a sufocaram. 8E outra parte caiu em boa terra, e depois de nascer, deu fruto, cento por um. Dito isto, clamou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. 9Seus discípulos perguntaram-Lhe, pois, que significava essa parábola. 10E Ele lhes respondeu: A vós é dado conhecer o Mistério do Reino de Deus, porém, aos outros se fala em parábolas, para que, olhando, não vejam, e ouvindo, não entendam. 11Este é, pois, o sentido da parábola: A semente é a palavra de Deus. 12Os que estão ao longo do caminho, são os que a ouvem, mas vindo depois o diabo, tira-lhes a palavra do coração, para que se não salvem, crendo nela. 13Os de sobre a pedra, são os que recebem com gosto a palavra, quando a ouviram; porém, estes não têm raízes; até certo tempo creem, mas no tempo da tentação, desviam-se. 14A que caiu entre os espinhos: são estes os que ouviram, porém, indo, afogam-se com cuidados, riquezas e deleites da vida, e não dão fruto. 15E a que caiu em boa terra: são os que, ouvindo a palavra, guardam-na com o coração bom e perfeito e dão fruto na paciência.

CREDO…

Concluímos a Ante-Missa com essa profissão de fé.

Breve compêndio das verdades cristãs e Símbolo da fé católica. Com a Igreja, afirmemo-las publicamente e renovemos a profissão de fé que fizemos no Batismo.

Ofertório / Salmo 16. 5-7

Com o Ofertório, começa a segunda parte da Missa ou Sacrifício propriamente dito. Três elementos o constituíam antigamente: apresentação das oferendas, canto de procissão, oração sobre as oblatas.

Pérfice gressus meos in sémitis tuis, ut non moveántur vestígia mea: inclína aurem tuam, et exáudi verba mea: mirífica misericórdias tuas, qui salvos facis sperántes in te, Dómine.

Firmai os meus passos em vossas veredas, para que meus pés não vacilem; inclinai para mim vosso ouvido, e escutai a minha prece. Manifestai as maravilhas de vossa misericórdia; Vós, Senhor, salvais os que em Vós esperam.

Secreta

É a antiga « oração sobre as oblatas », ponto de ligação entre o Ofertório e o Cânon.

É neste último que se faz propriamente a oblação do sacrifício.

Oblátum tibi, Dómine, sacrifícium, vivíficet nos semper et múniat. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Fazei, Senhor, que o Sacrifício que Vos oferecemos sempre nos vivifique e fortaleça. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Communio / Salmo 42. 4

Alternando com o canto dum salmo, acompanhava (e ainda hoje pode acompanhar) a comunhão dos fiéis.

Nas Missas cantadas, se canta, enquanto o sacerdote toma as abluções e recita as orações seguintes em que se pedem para a alma os frutos da Comunhão.

Introíbo ad altáre Dei, ad Deum, qui lætíficat iuventútem meam.

Eu venho ao altar de Deus, ao Deus que alegra a minha juventude.

Postcommunio

Súplica a Deus para que nos conceda os frutos do Sacrifício.

Súpplices te rogámus, omnípotens Deus: ut, quos tuis réficis sacraméntis, tibi étiam plácitis móribus dignánter deservíre concédas. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Humildemente Vos rogamos, ó Deus onipotente, concedei Vos sirvam dignamente com santos costumes os que alimentais com vossos Sacramentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Meditação

A Semente Divina

Eis-me aqui, Senhor, na Vossa presença; que o meu coração seja o bom terreno, pronto a receber e fazer frutificar a Vossa divina palavra.

1 — Jesus, o divino semeador, vem hoje espalhar a boa semente na Sua vinha, a Igreja; Ele mesmo quer preparar as nossas almas para uma nova florescência de graça e virtude.

« A semente é a palavra de Deus ». O Verbo, Palavra eterna do Pai, encarna, faz-se homem, chama-se Jesus Cristo e vem espalhar no coração dos homens a palavra divina, que não é outra coisa senão um reflexo de Si mesmo. A palavra de Deus não é um som que fere o ar e se perde imediatamente como a palavra dos homens; mas é luz sobrenatural que ilumina sobre o verdadeiro valor das coisas, é graça que dá capacidade e força para viver segundo a luz de Deus. É, portanto, semente de vida sobrenatural, de santidade, de vida eterna. Esta semente nunca é estéril em si mesma, encerra sempre uma poderosa força vital, capaz de produzir não só algum fruto de vida cristã, mas abundantes frutos de santidade. Esta semente não é confiada a um agricultor inexperiente que, por sua incapacidade, pode arruinar a melhor sementeira; é o próprio Jesus, o Filho de Deus, o semeador.

Por que motivo a semente não dá sempre os frutos desejados? Porque frequentemente o terreno que a recebe não tem as disposições necessárias. Deus não cessa de espalhar a Sua semente no coração dos homens, de convidá-los, solicitá-los para o bem com a Sua luz e Seus apelos, de distribuir a Sua graça por meio dos Sacramentos; mas tudo isto será vão e estéril se o homem não oferece a Deus um terreno — ou seja, um coração — preparado e bem disposto. Deus quer que nos salvemos e santifiquemos, mas não força ninguém: respeita a nossa liberdade.

2 — O Evangelho de hoje (Lc. 8, 4-15), apresenta quatro categorias de pessoas que recebem de modo diverso a semente da palavra divina, e compara-as ao caminho pisado, ao chão pedregoso, ao solo espinhoso e, finalmente, à boa terra.

Caminho pisado: almas inconstantes, abertas, como o caminho, a qualquer distração, ruído e curiosidade; abertas à passagem de qualquer criatura e afeto terreno. Logo que a palavra de Deus chega ao seu coração, imediatamente o inimigo, encontrando livre o acesso, arrebata-a, impedindo-a de germinar.

Chão pedregoso: almas superficiais, nas quais o bom terreno se reduz a uma leve camada, que o vento das paixões levará bem depressa juntamente com a boa semente. Estas almas entusiasmam-se facilmente, mas não sabem perseverar, « no tempo da tentação, voltam atrás ». Não sabem perseverar porque não têm a coragem de abraçar as renúncias e os sacrifícios necessários para se manterem fiéis à palavra de Deus, para pô-la em prática em todas as circunstâncias. O seu fervor é fogo de palha que cessa e se extingue com a menor dificuldade.

Solo espinhoso: almas preocupadas com as coisas terrenas, com os prazeres, os negócios, os interesses materiais. A semente germina, mas logo os espinhos a sufocam, roubando-lhe o ar e a luz. Os excessivos cuidados das coisas temporais acabam por abafar os direitos do espírito.

A boa terra, enfim, é comparada por Jesus « àqueles que, tendo ouvido a palavra com um coração reto e bem disposto, a conservam e dão fruto pela perseverança ». Coração bom e reto é aquele que dá sempre a Deus o primeiro lugar, que busca primeiro o reino de Deus e a Sua justiça. A semente da palavra divina, das inspirações e da graça, dá fruto abundante na medida das boas disposições que encontrar em nós: recolhimento, seriedade e profundidade de vida interior, desapego, busca sincera das coisas de Deus, além e acima de todas as coisas terrenas. E depois, « perseverança » porque sem ela é impossível que a palavra de Deus produza em nós o seu fruto.

Extraído do Livro Intimidade Divina­ — P. Gabriel de Santa Maria Madalena O.C.D.
Segunda edição (Traduzida da 12ª edição italiana) — 1967.

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