ALOCUÇÃO Do Exmo. Cardeal Dom Dario Castrillón Hoyos

ALOCUÇÃO
Do Exmo. Cardeal Dom Dario Castrillón Hoyos,
Prefeito da Sagrada Congregação para o Clero
Ato Solene da ereção canônica da
Administração Apostólica São João Maria Vianney

1 – Na inefável realidade do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja, glorifico o Senhor, que, nas entranhas da sua misericórdia, preparou este momento de santa alegria.

Gosto de pensar que a Santíssima Virgem, que acelerou a hora do Senhor em Caná de Galiléia e que foi o coração eclesial do Cenáculo mostrando-se Mãe e Rainha dos Apóstolos, esteve todo o tempo ao nosso lado, neste caminho, solícita como sempre.

O Santo Padre não deixou de notar que a carta que Lhe dirigiu o querido irmão Dom Licínio Rangel, juntamente com os sacerdotes da União São João Maria Vianney, trazia a data da Assunção de Maria Santíssima aos céus, 15 de agosto de 2001.

O Papa do “Totus Tuus” não podia deixar de acolher, com o coração transbordante de júbilo, o pedido que fazíeis, de serdes acolhidos na plenitude da comunhão e de receber o reconhecimento jurídico da vossa realidade, como católicos, na única Igreja.

Trago-lhes, portanto, o coração paterno do Vigário de Cristo, Pastor universal, Pedra sobre a qual Cristo quis edificar a sua Igreja. Trago-lhes os braços abertos de João Paulo II, Pedro hoje, São braços que, como a maravilha arquitetônica das colunatas de São Pedro, abrem-se em um abraço universal que é,ao mesmo tempo, insistente convite à unidade, à comunhão e à missão!

2 – É verdade que os tempos não são fáceis; é verdade que a barca da Igreja deve sulcar águas tempestuosas sob os ventos de ideologias e de culturas que, anti-humanas, são também anti-cristãs. É verdade que algumas gretas nos aspectos histórico-humanos podem fazê-las penetrar na própria barca, como já aconteceu quando, no lago de Genezaré, os Apóstolos, amedrontados e cheios e angústia, clamaram, a alta voz a um Cristo que parecia dormir: “Domine, salva nos quia perimus!”(Mt 8,25).

É verdade. Mas sobre as nossas angústias, sobre todas as nossas dúvidas, sobre todas as nossas perplexidades e medos, levanta-se uma voz, “a” voz: “Homens de pouca fé, por que tendes medo?” (Mt. 8,26): “Tu es Petrus, et super hanc petram ædificabo Ecclesiam meam et portæ inferi non prævalebunt”(Mt 16,18).

Sim, a barca de Pedro pode encontrar-se em águas agitadas, mas ela tem assegurada a assistência divina: “semper fluctibus agitata, et semper victrix”, como costumava dizer, em um ato de fé, Santo Afonso Maria de Ligório.

Cristo Senhor Nosso encontra-se na barca. Pedro, princípio perpétuo e fundamento visível da unidade da Igreja, tem em mãos o timão. A Virgem Imaculada continua, na história, a esmagar a cabeça da serpente diabólica até à consumação dos tempos

Esta é a fé que venceu o mundo, esta é a fé que nos gloriamos de professar!

3 – Antes de dar atuação a quanto dispôs o Santo padre João Paulo II, quero dirigir um “muito obrigado” verdadeiramente fraterno e cordial aos Venerados Irmãos Dom Roberto Guimarães, bispo desta Diocese, pela generosa e cordial colaboração oferecida, e Dom Licínio Rangel, pela boa vontade e pela coragem do passo dado. Um “obrigado” sincero ao Pe. Fernando Rifan, interlocutor paciente e generoso. Um caloroso “obrigado” aos sacerdotes da Associação São João Maria Vianney e ao Presbitério da Diocese de Campos que se encontram, de hoje em diante, reunidos no coração do Bom Pastor.

Mas deixai-me pronunciar um “muito obrigado” comovido, aqui, na presença do Senhor, a todos aqueles leigos, religiosos e religiosas, sacerdotes – que, em tantos lugares, apoiaram e como que envolveram na oração este caminho e continuam a apoiar a causa santa da veste inconsútil de Cristo. Por esta santa causa, pela qual o próprio Salvador rezou, qualquer fadiga será sempre vivida com alegria e creio que nenhum de nós recusará jamais a própria contribuição.

4 – “Ubi caritas et amor, Deus ibi est”

Nesta Diocese de Campos e na Administração Apostólica São João Maria Vianney, que hoje tem início, por intercessão da Cheia de Graça, reforcem-se sempre mais a caridade e o amor, realizando assim a recomendação do Papa São Leão Magno: “Não poderá manter-se firme a nossa unidade, se o vínculo do amor não nos tiver unido com força inseparável” (Carta 14, 1-2, Ao Bispo Atanásio).

Estes são também os meus votos, que transformo em oração.

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